O que é OICD?

 

A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino é uma Instituição religiosa sem fins lucrativos fundada em 1970 pelo sacerdote F. Rivas Neto, que a dirigiu até maio de 2018. Promove a iniciação, o diálogo e a difusão do conhecimento dos três núcleos duros: candomblés , encantarias e umbandas. Segundo os pressupostos de seu fundador, esses três núcleos mantêm o diálogo entre si. Por isto, a Instituição tem como objetivo iniciático a formação em um ou mais núcleos. É dirigida pela sacerdotisa Maria Elise Rivas, sucessora de F. Rivas Neto, desde maio de 2018.

 

   As casas de cada núcleo

   A OICD é uma Instituição religiosa de cunho iniciático, de modo que a iniciação ocorre em três núcleos duros que dialogam entre si: candomblés, encantarias e umbandas. Portanto, a OICD é composta atualmente por quatro casas de iniciação, cada uma em uma escola própria das religiões afro-brasileiras.

   Assim, no núcleo dos candomblés, faz parte da OICD o Ilé Funfun Àsè Awo Oso Òògun, localizado em Itanhaém. Quanto ao núcleo das encantarias, fazem parte da OICD o Ilé Oka Sete Estradas e o Ilé Oka Sete Lajedos, localizados em Itanhaém e em São Paulo respectivamente. Por fim, quanto ao núcleo das umbandas, faz parte da OICD o TUO, localizado em Itanhaém. Para mais informações sobre cada uma das casas quem compõem a OICD, acesse as páginas específicas nesta página.

 

   A direção da OICD

   A OICD foi fundada por F. Rivas Neto em 28 de julho de 1970 e, desde então, sempre esteve em transformação, de acordo com a visão de Pai Rivas segundo a qual as religiões afro-brasileiras sempre estão em constante mudança (Rivas Neto, 2012 -> ver produção bibliográfica). É assim que foram sendo instituídas as casas de cada núcleo, uma vez que o sacerdote Pai Rivas foi iniciado nos três núcleos (veja mais sobre Pai Rivas). A OICD também foi mantenedora da FTU, primeira e única instituição de ensino superior voltada à Teologia Afro-Brasileira credenciada e reconhecida pelo MEC, com funcionamento de 2003 a 2016. Com a passagem de Pai Rivas para o "outro lado da vida", como costumava dizer, em maio de 2018, o comando da OICD e sua Tradição, com todas as casas que a compõem, foi transmitido a sua sucessora, Maria Elise Rivas (veja mais sobre Maria Elise Rivas)

 

 

Histórico de fundação da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino

 

A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino é uma instituição religiosa fundada no dia 28 de julho de 1970. Trata-se de uma instituição privada, confessional, comunitária e sem fins lucrativos. A instituição foi constituída nos idos de 1970 tendo como fundador o sacerdote F. Rivas Neto. Antes de seu ato de fundação oficial, a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino já vinha sendo implantada de modo gradual desde 1968.

            Nessa época, F. Rivas Neto comandava um terreiro de umbanda traçada sediado na Rua Lord Cockrane, n. 613, bairro Ipiranga, na cidade de São Paulo, onde iniciou suas atividades como sacerdote. Dois anos depois, no ano de 1970, muda seu templo para a Avenida Anchieta, n. 308, no bairro do Sacomã, onde atualmente tem localizado um logradouro público. Ambos terreiros lhe possibilitaram experiência na umbanda traçada, isto após ter passado pelo candomblé, onde foi iniciado por Ernesto de Xangô ainda em tenra infância.

            A trajetória da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino prossegue em consonância com a trajetória de seu fundador, que no ano de 1978 passa a seguir os ditames da umbanda esotérica de W.W. da Matta e Silva, de quem se tornou discípulo e foi feito sucessor no ano de 1987 pelo próprio pai Matta e Silva, após ter recebido o 7º grau, 3º ciclo. Neste ínterim, no ano de 1980, F. Rivas Neto transfere sua sede para a rua Chebl Massud, n. 157, antiga Travessa Magalhães, no bairro da Água Funda, local onde se encontra sediada até os dias atuais.

        Vale lembrar esta longa trajetória dentro das religiões afro-brasileiras proporcionou ao fundador da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, sacerdote F. Rivas Neto, uma experiência diversa e muito profícua que o levou a entender a diversidade das RABs em suas diferentes escolas, sejam elas: umbandas, encantarias ou candomblés, que são constituídas por metodologia, epistemologia e ética próprias sem supremacia de uma escola em detrimento das demais.

            Isto levou a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, por meio de seu fundador, a se tornar um local de iniciação que não privilegia um único método, epistemologia ou ética, mas sim a implantar em diferentes locais espaços onde se possa praticar de modo independente as diversas escolas. Para tanto, tem a sede na rua Chebl Massud onde atualmente funciona um terreiro de candomblé de caboclo, na cidade de São Paulo, e no município de Itanhaém foi fundado o Ilê Oka Sete Estradas – candomblé de caboclo, na rua Rogê Ferreira, n. 3605, constituiu o templo de umbanda esotérica, o TUO, à rua Paraguassú, n. 306, e na rua Arariboia n. 83 o candomblé Jeje-Nagô, Ilé FunFun Àṣè Awo Òṣo Óògun. Desta forma, contempla grande parte das RABs e de sua própria trajetória como sacerdote em sua instituição, Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, que no ano de 2018 completa 50 anos desde o início de sua implantação e 48 anos já instituída legalmente.

            A partir de 25 de maio de 2018, com a passagem de Pai Rivas, e por orientação dele, sua sucessora, Mãe Maria Elise Rivas, assume o comando da OICD. 

Mãe Maria Elise Rivas

          Mãe Maria Elise Rivas (Yá Bê Ty Ogodô no candomblé e Mestra Yamaracyê na umbanda) é filha de santo de Babá Rivas Ty Ògìyàn desde 1980, tendo acompanhado a longa trajetória de Babá Pai Rivas nas diversas escolas das RABs. Foi iniciada por ele no candomblé e exercia a função de Yakekere, na umbanda esotérica recebeu o 7° grau, 2° ciclo e o acompanhou por mais de uma década na umbanda traçada e encantarias. Acompanhou ativamente Babá Rivas na fundação e implantação de seus terreiros e na manutenção da Faculdade de Teologia com Ênfase em Religiões Afro-Brasileiras, instituição onde foi vice-diretora e professora de 2010 a 2016, sendo Babá Rivas o diretor. Na FTU, colaborou para o reconhecimento da instituição junto ao MEC. É Bacharela em Teologia com Ênfase em Religiões Afro-brasileiras pela FTU e Mestra e Doutora em Ciências da Religião pela PUC-SP. Autora no âmbito das religiões afro-brasileiras com livros, capítulos de livros e artigos científicos publicados. Porém sua dedicação sempre esteve e está voltada aos terreiros dos quais hoje se tornou mãe de santo, com o compromisso e continuidade da tradição de seu Babá.