Ilé Oka Sete Estradas

 

Algumas pessoas têm nos perguntado o motivo de nosso novo terreiro localizado em Itanhaém chamar-se Ilé Oka. Não podemos definir em apenas algumas linhas o amplo sentido e as várias configurações semânticas que o termo Ilé Oka imprime.

Podemos, inicialmente, afirmar que o termo Oka é africano e o Ilé Oka Sete Estradas é a Casa dos Poderes Mágicos. Agora, essa magia contempla vários aspectos e em cada grupo das religiões afro-brasileiras ela é executada, ritualizada com características próprias. O Ilé Oka é um terreiro do grupo das encantarias (candomblé de caboclo, jurema e encantarias várias) e tem como compromisso o cuidado com a saúde de todas as pessoas que o procuram. Essa saúde, no entanto, é muito mais que apenas a saúde do corpo biológico, físico. A saúde no Ilé Oka (e temos certeza que em todos os terreiros sérios) é entendida a partir da cosmovisão maior que abrange esse grupo das religiões afro-brasileiras, por exemplo, de como as encantarias veem o corpo, a saúde, a espiritualidade (corpo fechado e caminhos abertos)

As pessoas procuram as religiões afro-brasileiras por vários fatores, por obsessões espirituais, feitiçarias várias, desvios de personalidade, brigas familiares, problemas afetivos, doenças que já estão manifestas fisicamente. Assim, a saúde é vista de maneira maior e nosso Ilé é, portanto, direcionado às várias magias. Outras semânticas existem, mas deixaremos para próximos textos e/ou para cada um dos que pisam no Ilé Oka que alcance o entendimento.

Babá Rivas Ty Ògìyàn

Axé!

 

Inauguração do Ilê Oka Sete Estradas

 

Aos 31 de maio de 2014, sábado, às 18h30, Babá Rivas Ty Ògìyàn inaugura o Ilê Oka Sete Estradas, com as presenças do Caboclo Sete Estradas, do Marinheiro Sr. Tariman e do Sr. Capa Preta.

E nada melhor do que as palavras dele, Babá Rivas, para dar ideia da alegria e felicidade que vivemos nesse grandioso dia!

 


Ouça aqui o áudio original de Babá Rivas Ty Ògìyàn

“Hoje nós temos um dia para nós, é um dia de festa. É um dia de festa. É um dia que, dentro das Religiões afro-brasileiras, sem aquela ociosidade que muitas pessoas falam, que as RABs só têm festas, e aqui nós cantamos, e o que eu quero mais é que na minha casa entre sorte e felicidade!

Agora a sorte e felicidade requer também esforço, até a chuva estava difícil, a não ser essa semana, em que choveu muito, mas estava difícil para cair do céu. Então as RAB sempre estão solicitando as pessoas que elas procurem ser ao máximo felizes, porque para nós a felicidade é a necessidade que nós temos de bem viver. De procurar ter uma vida digna, de ter uma vida que valha a pena viver. Você tem que estar no mundo, não simplesmente para dormir, trabalhar, acordar, dormir, trabalhar, acordar, sem ter expectativa. Não! Você tem que ter uma expectativa de alegria, de felicidade.

As RABs com as suas cantorias, com as suas danças, com a sua própria filosofia de vida, com seu próprio estilo de vida faz com que as pessoas possam encontrar essa felicidade, não como ópio, não uma felicidade de mentira, que enganaria você. Não, é uma felicidade porque você vive aquilo, porque você é aquilo, porque você está contente com o que você é! E se você não está contente você vai atrás, vai ter coragem de buscar o que você quer.

A Religião afro-brasileira fala isso para você, para você não ter medo da vida, para você não precisar acordar de cabeça baixa. Ou seja, que sempre tenhamos uma  abertura em nossa vida. Nada é completamente desestruturado. Nada é completamente fora de você conseguir um novo afã, você conseguir um novo caminho para conseguir ser feliz e, mais do que isso, para você conseguir suplantar suas dificuldades. As principais dificuldades são os conflitos que as pessoas têm, com elas mesmas, ficam desarmonizadas. Estando desarmonizadas, fica difícil fazer outras coisas. Então nós procuramos hoje aqui, como em todos os nossos Toques, como em todos os nossos rituais, é transmitir um pouco do que esses ancestrais, do que essas entidades, quem convive com eles há muito tempo sabe o que é isso.

Quando vocês chegaram, eu estava lá atrás, porque nós estávamos malhando aqui todo dia para arrumar, desde ontem e saímos daqui às 4h da manhã e às 9h já estávamos aqui de novo! Mas é com aquela alegria, aquela satisfação por você gostar daquilo que faz, por você gostar de pessoas, você vive, convive, compartilha com as pessoas as suas vivências de alegria, felicidade, para que as pessoas consigam neutralizar as suas tristezas, as suas infelicidades, os seus desacertos. Porque as pessoas às vezes acham que têm muito desacerto.

Então hoje estamos comemorando o nosso 1º dia aqui nessa casa. Eu sempre falo que as RABs têm três vertentes: uma vertente das Umbandas, uma vertente da Encantarias, e uma vertente dos Candomblés. Para quem gosta dos Candomblés, nós temos o Ilé Funfun Àṣè Awo Oṣo Óógun, a duas quadras daqui, que está em silêncio. Eu consegui tirar todo esse barulho de lá. Então está em silêncio, como o Òrìṣà Funfun gosta, como o Òrìṣà do branco, da pureza, da calma, da paciência, da tranquilidade. Lá só tem as coisas Dele. E pessoas que gostam disso aqui? E você? – Perguntariam.

Eu gosto de tudo! Gosto daqui, do Candomblé, da Umbanda, da Kimbanda da Sapiranga (de cortar, né?), de tudo. Então hoje para vocês, a gente pretende, com esse Caboclo, o Caboclo Sete Estradas, que é uma entidade de Ogum, de Encantaria.

Mas o que é essa Encantaria, essa Umbanda de Encantado?

As pessoas quando falam em Encantado lembram das fadas, do pirata da perna de pau, do Peter Pan, da Disney, só que isso é do século passado, e nós estamos falando de coisas milenares, dos reinos encantados, de pessoas encantadas, esses Mestres que vêm são reis, são pessoas encantadas, que vêm de reinos encantados. Esses reinos que moram nos nossos sonhos que moram dentro de nós e que conhecem como que nós vivenciamos e o quanto nós precisamos desses encantos para encantar nossas vidas, para fazer brilhar os nossos olhos, pois, caso contrário, nós estaríamos totalmente desmotivados para a vida! Essa é a Encantaria. E dentro das Encantarias tem as Juremas... e isso aqui foi construído ontem com dez, trinta filhos. Foi construído ontem. Ora, para construir precisa ter fundamento, precisa saber como construir. Nem sei se hoje, como é festa, dia de mais alegria ainda, se os mestres virão. O Caboclo Sete Estradas eu sei que ele vai vir e com certeza deve estar contente com esse fato. Só para vocês terem uma ideia, ele baixou numa semana, na outra semana eu estava com a chave daqui na mão! Em uma semana. Isso é axé mesmo, pode bater palma.

Então aqui vamos já invocar a presença Dele, antes lembrando do índio, do branco, do africano, que o Sr. Urubatão deu para nós. O que mostra a diversidade, a pluralidade, e a necessidade de todas as RABs existirem, apesar de ter pessoas que gostam ou não gostam, que entendem ou não entendem, não importa. Para cada gosto tem uma RAB. Axé!”

 

Cronograma de ritos