Ilé Funfun Àṣè Awo Oṣo Òògun

 

A história da roça de Babá Rivas Ty Ògìyàn, naturalmente, confunde-se com a sua obrigação de 7 anos de santo, quando recebeu o deká, a cuia, de seu Babá. Babá Rivas fora feito para o Òrìṣà em 1957 pelas sábias mãos do Tio Ernesto de Ṣongó Ayrá (Bàbàlàwo Obá Omolokan Adê Ojubá). Por sua vez, Tio Ernesto fora iniciado nos mistérios do destino e do Òrìṣà pelo ilustre Martiniano Eliseu do Bonfim Ajimudá (Ojè L’adê).

Babá Rivas sempre estabeleceu o culto a Ifá e ao Òrìṣà em sua vida sacerdotal. Após cumprir compromissos com diversas linguagens religiosas afro-brasileiras, em que o culto de nação sempre viveu, seja no ojubó familiar, seja na casa de jogo, seja em espaços reservados de seus terreiros, reinaugurou seu àṣè na cidade de Itanhaém, região litorânea de São Paulo.

Como ato de militância em favor das religiões de matriz africana, o terreiro teve seu àṣè plantado em uma zona economicamente nobre da cidade. Tendo em vista uma invisibilidade das roças na região, enfrentou todo o preconceito contra o Candomblé e fez questão de reinaugurar o barracão em espaço central de Itanhaém.

O Ilé Funfun Àṣè Awo Oṣo Òògun é uma casa jeje-nagô fundada pelo Babá Rivas e uma das possíveis traduções do seu nome é Casa Branca da Cura e do Destino. Assentada para Ògìyàn, uma casa Funfun por natureza, possui em seu enredo a centralidade de Ṣongó e Oṣooṣi, por um lado, e Orunmilá e Òsaníyn, por outro.

O terreiro realiza muitas feituras de santo, tanto individuais como em barcos, assim como atende inúmeros clientes por meio do jogo divinatório (Ifá, Opelê ifá e raramente Merindilogun) e pelo poder mágico-religioso das ervas e das oferendas. Ou seja, trata-se com o arsenal terapêutico do Candomblé: ebós, sacudimentos, entre tantas outras ferramentas de promoção da saúde biopsicossocial do ser.

No que pese sua tradição estar sedimentada exclusivamente no modo jeje-nagô de conceber e viver o Sagrado, a roça respeita todas as origens africanas do Candomblé (banto, fon, entre outras).

Em junho de 2017, após consolidar seu Candomblé na cidade e ganhar respeito de vários setores da sociedade civil e religiosa da região, inaugurou uma obra de arte exposta nas paredes externas do barracão: “A Corte dos Òrìṣà”. Evento este que contou com ritos públicos de devoção e homenagem aos Òrìṣà, comidas típicas do Candomblé, grupos de capoeira e escola de samba da cidade. É a festa sociocultural, herança africana em plagas brasileiras, viva e rediviva em solo itanhaense pelas mãos de um Babá do Candomblé e todo seu egbé.

O Ilé possui um calendário regular de oro e festas, algo suspenso com o recente desencarne do Babá Rivas, seguindo os interditos decorrentes do Aṣeṣè.

Atualmente está sob a responsabilidade da Yá Bê Ty Ṣongó Ogodô, yakekere durante o período que o Babá Rivas ficou à frente do Ilé.

 

 

 

Para breve, iremos disponibilizar mais informações históricas, fotos e vídeos das atividades do Ilé Funfun Àṣè Awo Oṣo Òògun. Não percam.