Religiões Afro-brasileiras – A unidade manifestada na diversidade

 

   Em meados de 2012, na Faculdade de Teologia com Ênfase em Religiões Afro-Brasileiras (FTU), ocorreu o lançamento do livro Escolas das religiões afro-brasileiras: tradição oral e diversidade, de autoria do Fundador da FTU e sacerdote F. Rivas Neto. Esta obra, desenvolvida ao longo de anos de pesquisa e aliada ao trabalho sacerdotal realizado por mais de quatro décadas, representou e se mantém como um marco na história do estudo, do entendimento e da concepção das religiões afro-brasileiras ao apresentar o conceito de escolas.

 

   Estrutura-se o conceito a partir das características pertinentes à "epistemologia (doutrina filosófica), ética (convivência pacífica e interdependência) e no método (formas de práticas e vivências ritualísticas)" (2013, p. 109) de cada grupo ou comunidade religiosa. Ou seja, essa tríade é o que compõe uma religião afro-brasileira e propõe novos campos de abordagem, como as semelhanças e diferenças quanto a aspectos como transe, presença ou não de bebidas ritualísticas, de corte sacrificial, instrumentos de percussão, entre outros, na composição de cada uma das religiões afro-brasileiras de acordo com as influências em sua formação das matrizes indo-europeia, indígena e africana. Desta sorte, por exemplo, há religiões com influência marcadamente católica ou kardecista, ao passo que outras apresentam características resultantes de maior influência africana.

   Desse modo, F. Rivas Neto faz uma analogia com o conceito de Gestalt, de modo que, nessa inovadora abordagem, todas as religiões fazem parte de um todo, estabelecendo-se a interdependência e os diálogos inter e intrarreligiosos. Esta é em suma a ideia da unidade que se manifesta na diversidade, e o título deste texto remente a um capítulo da obra. A seguir, um diagrama sobre essa exposição (2012, p. 31):


    Riquíssima, a obra inspira campos de estudo e nos deixa como legado a união entre todas as escolas afro-brasileiras, do chamado "povo de santo", lançando por terra as tentativas de homogeneização e preconceitos vários.

 

"O conceito de Escolas que criamos, sustentamos e propagamos afirma que a Umbanda e outras Religiões Afro-brasileiras podem ser praticadas de várias maneiras e que todas elas estão no mesmo plano de importância, não havendo entre elas hierarquização, isto é, não há uma Escola melhor do que outra." (F. Rivas Neto, 2013, p. 73).

 

Os três grandes grupos das escolas das religiões afro-brasileiras

 

   Babá Rivas Ty Ògìyàn sempre continuou sua pesquisas e reflexões, de modo que, em 2014, no livro Teologia do ori-bará, aprofunda a discussão sobre o conceito de escolas e teologia afro-brasileira com o excerto final desta obra, intitulado "Núcleo duro e zona de diálogo da tradição". É quando apresenta as diversas escolas das religiões afro-brasileiras organizadas segundo três grandes grupos principais, a saber: candomblés, encantarias e umbandas. Deste modo, o núcleo duro representa as características da tradição de cada escola que a definem em determinado grupo e a diferenciam de outra escola; ao passo que as zonas de diálogo apresentam as confluências entre escolas diferentes, suas semelhanças, como demonstra o diagrama seguinte (2014, p. 105), sobre a "assimetria do sagrado" (Em 2017, no livro Candomblé: teologia da saúde, F. Rivas Neto retoma e aprofunda esses conceitos no capítulo intitulado "A imparidade do sagrado").

 

   Pai Rivas atuou nos três grupos e aqui no site da OICD encontram-se a história, imagens e informações sobre os terreiros e templos fundados por Pai Rivas. Veja mais informações em: