PENSAR A DIVERSIDADE COMO MEIO DE ALCANÇAR A PAZ

 

Mucuiú, motumbá, kolofé, saravá, axé.
 
Infelizmente hoje ocorreram no Sri Lanka ataques a igrejas católicas e hotéis, ações que repudiamos veementemente. Por isso reiteramos no vídeo que divulgamos agora a importância do respeito à diversidade como fator essencial para uma cultura de paz. Aproveitamos para indicar também vídeo que fizemos ontem antes de dar início ao Toque de Candomblé de Caboclo que realizamos em Itanhaém, no Ilé Oka Sete Estradas, em que falamos sobre a importância do respeito à diversidade, principalmente, nesse momento da Páscoa, herança cristã celebrada pelos cristãos e algumas das religiões afro-brasileiras e que deve ser respeitada. O link é o seguinte: https://www.facebook.com/oicdpairivas/videos/955287831331263/
 
 
 

Mãe Maria Elise Rivas
Íyá Bê Ty Ogodô
Mestra Yamaracyê

Isonomia para sacrifício religioso

 

Mucuiú, motumbá, kolofé, aranauam, axé, salve, salve,

Hoje as religiões afro-brasileiras conquistaram uma vitória contra o preconceito e a ignorância. Várias religiões, quer seja durante seus rituais, quer seja em momentos festivos, promovem o abate de animais. No entanto, as religiões afro-brasileiras, sobretudo por causa do racismo e do desconhecimento quanto a sua diversidade ritualística, foram alvo de ação a respeito do sacrifício ritual, cuja sentença ocorreu hoje de modo unânime pelo Supremo Tribunal Federal. Aos olhos do estado laico, todas as religiões têm garantido o seu direito ao sacrifício ritual.

 

Mãe Maria Elise Rivas
Íyá Bê Ty Ogodô
Mestra Yamaracyê

 

 

 

OS RITOS DE PASSAGENS

 

Na força e na felicidade da paz provenientes do Poder Divino, que suas vidas possam seguir seu destino sem interferências negativas ou ossogbos.

Daqui a dois dias, um filho de santo de nossa Casa, Luciano, estará em meio a um ritual de passagem na academia e, tenho certeza, será muito exitoso.

Os ritos de passagem marcam nossas vidas desde sempre: alguns se dão de modo espontâneo, outros de forma mais consciente. Este foi voluntário e consciente: com o desejo, a busca por uma instituição, por um mestre e abertura para compreender as regras acadêmicas, o "jogo" de como andar neste espaço, com a necessidade de ultrapassar desafios menores durante anos até o último grande desafio da defesa, que é mais um ato público de consagração na vida acadêmica e, junto com ela, uma nova fase de reinício, mas com um título e mais experiência. Nada acabou. Ao contrário, ao findar o mestrado nova etapa se descortina no desafio "da vida que segue" e se faz valer, não mais apenas falar e escrever, e sim fazer-se um acadêmico.

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 TRADIÇÃO

 

Compartilhamos o primeiro capítulo da obra “Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino: Escola de Iniciação desde 1970 – Vigência 2019”, páginas 11 a 14. Nele discorremos sobre Tradição.

 

Vou voltar no tempo e falar como fui apresentada à palavra tradição, pois, naquele momento, não entendia o que significava em sua profundidade e, a princípio, ela realmente era mais uma palavra em meu parco vocabulário.

Quem me apresentou a esta palavra? Um homem singelo, elegante, sério e sábio, que a falava com amabilidade e respeito, o sacerdote Babá Rivas Ty Ògìyàn, Mestre Arapiaga.

Leia mais: Tradição - OICD

O carnaval me encheu de saudades...

 

Li e reli a postagem anterior com texto de Babalorixá Rivas Ty Ògìyàn, Babá Rivas, um grande zelador de santo, por mim chamado de modo carinhoso e devoto de meu pai de santo. O afeto nos possibilita dizer de forma não menos respeitosa e, com total reconhecimento e importância de seu cargo:  zelador, zeladora, pai, mãe, Íyá, Babá, Mestre,  Mestra, sacerdote ou sacerdotisa, enfim...

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

 

De um modo muito simples para entender, porém complexo quanto à realização concreta, entendemos “responsabilidade” como a capacidade de responder por aquilo que se pensa, que se sente e que se faz. Isso porque, na Tradição da OICD, conforme dizia Pai Rivas e nós ratificamos, entendemos o ser humano como ente biopsicossocial. Nesse sentido, a OICD como Escola de Iniciação desde 1970 responsabiliza-se por atuar no âmbito religioso e sua manifestação social em prol do bem-esta social de acordo com os métodos, éticas e doutrinas das religiões afro-brasileiras, nos núcleos do candomblé, da encantaria e da umbanda.

É por isso que em nossos terreiros, com os vários Ritos e Toques públicos e gratuitos, almejamos a cura e o desenvolvimento em todas as esferas: religiosa, social e física, conectadas e indissociáveis. Assim, nossa atuação estende-se para outras esferas além de nossas Casas: “Nossa Instituição [a OICD] tem como objetivo central as atividades religiosas. Contudo, sabemos que o espiritual se manifesta na sociedade, na cultura, na política e na economia. São, no fundo, a mesma realidade manifesta de forma mais concreta na economia e, proporcionalmente, mais abstrata no espiritual. Agir no social e no cultural com responsabilidade e harmonia aos desígnios do Orixá torna-se, portanto, um meio fundamental para a realização das atividades da OICD.” (Livro OICD – Escolas de Iniciação Desde 1970, 2019, p. 155).

É com este mote que viabilizamos, em parceria com instituições públicas de Itanhaém, a exposição “Carnaval Cultural: Entre Histórias”, a partir de amanhã, 25 de fevereiro, até 22 de março, no Fórum da Comarca de Itanhaém, em que apresentaremos temas como o nascimento do samba, arte musical oriunda dos terreiros das religiões afro-brasileiras, de cultura africana, e de suas primeiras composições, derivadas de tradição oral e coletiva. E mais: em nosso doutorado em Ciência da Religião, pela PUC-SP, para dizer o mais brevemente possível, explicamos como se deu essa transformação da música religiosa dos terreiros para o samba de Noel Rosa, por exemplo, tendo como forma intermediária o que chamamos macumba musical, e que visões de mundo entraram em choque nesse processo.

Estendemos a todxs o convite para a participação desta exposição desenvolvida pela OICD para toda a sociedade.

 

Mãe Maria Elise Rivas

Íyá Bê Ty Ogodô

Mestra Yamaracyê

 

Foto: Arquivo/Agência do Estado

 Mucuiú, motumbá, kolofé, saravá, axé,

 

Ser lembrado nas religiões afro-brasileiras é algo muito importante, pois quem não é lembrado pouco fez e não está na memória dos seus, pois não teve participação significativa para seu povo de santo, para sua tradição e, mais, não sendo lembrado terá dificuldades de nascer novamente.
Hoje foi dia de lembrar de alguém que muito contribuiu e nos ensinou que é necessário contribuir com o nosso meio religioso, com a tradição, com a sociedade em geral e com a nossa família de santo.
A dignidade, a capacidade e a luta daquele que fundou nossa casa, Pai Rivas Ty Ògìyàn/Mestre Arapiaga, foi comemorada hoje da forma que ele mais amava. A alegria, a felicidade, a irmandade de sua comunidade e a devoção ao Orixá foram o tônus do dia de hoje, que culminou com lançamento de nosso livro institucional e comemorativo já disponibilizado para o público em geral.
A seguir, alguns registros deste dia.

Mãe Maria Elise Rivas
Íyá Bê Ty Ogodô
Mestra Yamaracyê

Leia mais: Dia de festa