Tradição

 

Mucuiú, motumbá, kolofé, saravé, axé.

 

Compartilho hoje um excerto do segundo capítulo do livro "OICD - Escola de Iniciação desde 1970 - Vigência 2019", com lançamento para 2019, das páginas 11 e 15, a respeito de Iniciação, um dos temas da obra, de acordo com o entendimento de nossa escola:

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OICD E A INICIAÇÃO

 

A OICD é uma instituição que tem como objetivo desenvolver a Iniciação, promover o diálogo e a difusão da cultura afro-brasileira. Entendamos que a Iniciação e o diálogo, na OICD, se dão no e entre os três núcleos duros das RABs, sendo eles: as umbandas, encantarias e candomblés, logo para compreendermos este conceito se faz necessário observar a diversidade inerente aos três núcleos duros e o envolvimento da OICD com este processo. 

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TOMO I de 2019

 

Mucuiú, motumbá, kolofé, saravá, axé.

 

No ano de 2019 farei alguns tomos para reflexão iniciando hoje em primeiro lugar com a pergunta:

Somos realmente capazes de agradecer por tudo que temos e somos ao Poder Divino e sermos confiantes Nele?

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TOMO II DIAS DE FESTA: VIVENCIANDO A ALTERIDADE

 

Uma tônica da vida moderna é a da falta de tempo: para fazer aquilo de que se gosta, para estudar, para aproveitar as amizades, para ganhar dinheiro, para realizar um sonho. E quanto do nosso tempo diariamente dedicamos às outras pessoas, à coletividade, sem esperar por receber algo em troca?

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DIAS DE FESTA

 

Mucuiú, motumbá, kolofé, saravá, axé,

  

Inicio desejando a todxs paz profunda na mente e coração. Períodos de festas... retiramos da vida o caráter festivo como uma constante e o  restringimos a pequenos períodos ao longo do ano. Por que a vida não pode ser uma festa? A "modernidade" retirou da sociedade o direito a viver em festa e colocou em "caixas" sociais os motivos que devam ser festejados, como aniversário, casamento, entre outros.

A festa era e é uma constante nas comunidades tradicionais. A felicidade da comensalidade, da questão gregária, do direito a sorrir, se sentir pleno e feliz constantemente é algo natural nas comunidades tradicionais.

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Arte! Literatura e música negras no Brasil
 
 
Mucuiú, motumbá, kolofé, saravá, axé,
 
Neste vídeo apresenta-se a palestra de Mãe Maria Elise Rivas, no dia 30 de novembro de 2018, na Pinacoteca Municipal de Itanhaém, pelo projeto "Os (In)Visibilizados", da Semana da Consciência Negra 2018.
 
Mãe Maria Elise Rivas
Íyá Bê Ty Ogodô
Mestra Yamaracyê
 
 
 
 
 
 

MEMÓRIA E IDENTIDADE DE HERANÇA AFRICANA

 

A memória reforça o sentimento de identidade. Logo, falar em memória das heranças africanas em solo brasileiro é também falar da constituição  da identidade da maioria do povo brasileiro, senão da sua totalidade. A memória e a identidade nos levam à consideração dos limites psíquicos, afetivos, físicos e pessoais, assim como de pertencimento a um determinado grupo, portanto invocam e evocam a memória de nossa ancestralidade. A memória e a identidade africana(s)  são pensadas/sentidas a partir do grupo onde nos inserimos, e por consequência pode ser aceita, esmaecida ou refutada. A memória e a identidade não são um patrimônio dado, e sim negociado no dia a dia, no cotidiano, mediante disputa de valores e conflitos sociais entre grupos distintos seja no âmbito econômico, político, social, cultural ou espiritual. Elas, identidade e memória africanas, passam por várias contendas diversas. Evoco neste momento Pollak (1989), ao dizer que pensar memória é pensar identidade e pensar memória/identidade é pensar concepção política sobre o processo de construção social da memória. Desta concepção política da memória é que ele desenvolve os conceitos sobre o enquadramento da memória, esquecimento e silêncio. A memória negra foi enquadrara, esquecida e silenciada.

No texto Memória, esquecimento, silêncio (1989), Pollak coloca o conceito de memórias subterrâneas em oposição a uma memória oficial, entendida como memória nacional. A memória oficial brasileira é branca e europeia, embora tenha utilizado e muito da memória e identidade africana. Entre muitos dos exemplos cito a eleição da feijoada, oriunda dos terreiros – comida de Ogum – como comida típica brasileira, o samba de origem angola também se tornou música nacional. As minorias, os excluídos e os marginalizados, ou seja, as culturas minoritárias e dominadas, em nosso caso a negra, contribuíram amplamente com a memória e identidade brasileiras. Neste momento os terreiros ganham relevância, pois  contribuíram e contribuem sobremaneira para a preservação da memória africana, que tanto quiseram silenciar. Sou gente de terreiro!!! Sou gente que respeita a memória africana.

 

Mãe Maria Elise Rivas

Íyá Bê Ty Ogodô

Mestra Yamaracyê